As memórias de um aclamado pianista que se salvou do inferno da depressão e do abuso graças à música.
James confiava naquele homem simpático. Porque não haveria de confiar? Era seu professor na escola primária. A primeira oferta foi uma caixa de fósforos, um maravilhoso objecto de desejo para um menino de seis anos. Seguiram-se outros pequenos presentes, acompanhados de sorrisos, palavras de incentivo, gestos atenciosos. Depois começaram os abusos sexuais, que duraram vários anos, sem que ninguém na escola e na família se apercebesse. Quando terminaram, James afundou-se progressivamente num abismo de relações obsessivas, hospitais psiquiátricos e vícios destrutivos, uma espiral que o afastou do piano, para o qual revelara talento precoce.
Mas foi um adágio de Bach, escutado durante um internamento, que o salvou de anos no fundo do poço. Ao descobrir que também os génios por trás das mais sublimes composições eram homens com existências dramáticas, James encontrou nos pequenos milagres da música o reduto para sobreviver aos seus demónios pessoais. Um encontro inesperado com um desconhecido deu-lhe o impulso de que James precisava para reencontrar o seu caminho na música. Hoje é um pianista aclamado em todo o mundo.
“Instrumental, Memórias de música, medicação e loucura” é um testemunho apaixonado e apaixonante sobre o poder terapêutico da música e a sua capacidade de transformar as nossas vidas, mas também, e sobretudo, sobre a nossa capacidade de reinvenção.



